O Papel da Assessoria de Comunicação na formação da Opinião Pública.

  • JUSTIFICANDO O POST:
    Faz alguns meses que comecei uma pós-graduação em Assessoria de Comunicação na UFG. Ação tardia, já que sou formado desde 2012. 
    Enfim…Durante toda a minha graduação, não tive nada na minha grade que incentivasse de fato uma atividade voltada para a geração de conteúdo para a academia. Portanto, para quem não escreveu nenhum artigo ao longo de toda a graduação – tirando o TCC, é uma comoção tamanha a ponto de querer postar aqui o meu primeiro artigo científico (mesmo tendo tirado apenas nota 8,00,tá…). 

 

Resumo: O texto a seguir pretende apresentar a força da influência do trabalho dos assessores de comunicação para a formação da opinião pública. Passando por especialistas e teóricos que já apresentaram discussões sobre este tema como Neal Gabler, Simone Tuzzo e Marshall McLuhan, a elaboração deste artigo também cita o famigerado caso do julgamento do ex-ídolo do futebol americano O.J. Simpson, como um exemplo de manipulação da opinião pública, e destaca técnicas como o branding e o stotytellig como importantes ferramentas para a construção de toda uma atmosfera de sentidos e sentimentos que pode ser alcançada através de um trabalho bem arquitetado pela equipe assessoria de comunicação.

 

Palavras-chave

Meio, mensagem, storytelling, branding, opinião.

    Lançando mão da citação de Neal Gabler (1999) utilizada em aula, que diz que “Vivemos cada vez mais em um mundo onde a fantasia é mais real que a realidade”, ressaltando que “estamos a ponto de nos tornar o primeiro povo da história a ter sido capaz de fazer ilusões tão vividas, tão convenientes, tão realistas, que podemos viver nelas.” Buscamos apontar para o papel da assessoria de comunicação, em seus aspectos e ações estratégicas, na formação da opinião pública.  (Ref. GABLER, 1999, pag. 11).

 Pois em tempos de excesso de informação, é inteligente gerar uma informação “envelopada” por uma experiência completa e de fácil percepção e compreensão sobre que esta busca atingir nos públicos a quem se direciona, com indicações claras do que os pertencentes deste público devem pensar, admirar e sentir sobre o que se é comunicado. O que, inclusive, pode ser muito bem observado no uso de teatralidades nas áreas da política, na religião, na educação, na literatura, no comércio e até mesmo para justificar conflitos e convocar manifestações, como podemos observar na atual história político-social deste País. Uma vez que, através de ferramentas e técnicas de para estimular um levante social, organizações e personalidades, seja pelo meios mais tradicionais da informação como os meios impressos e sobretudo das redes sociais, formaram movimentos e até mesmo ergueram heróis para lapidar seus conceitos e assim atingir a empatia de uma parcela generosa da opinião pública.

São incontáveis os casos da atuação de profissionais e equipes na formação da opinião pública. Sendo até, que um dos mais celebres deles, não foi feita nem sequer por uma equipe de assessores de comunicação de fato, como ocorreu no caso do amplamente explorado até hoje pela mídia, mercado editorial e até mesmo entretenimento (mais recente através da série de TV “American Crime Story: The People Vs. O.J. Simpson”, escrita pelo roteirista e diretor Ryan Murphy para o canal a cabo FOX) do julgamento do ex-ídolo do futebol americano que também se aventurara como ator coadjuvante em alguns filmes de Hollywood e em shows da TV, O.J. Simpson. Suspeito do crime de assassinato a facadas a segunda ex-mulher, a modelo Nicole Brown, e do seu suposto namorado Ronald Goldman, em junho de 1994. Pois, como documenta o site Acervo O Globo, que faz parte do Grupo Globo de Comunicação, o caso saltou da esfera criminal para devido a uma inteligente defesa arquitetada por uma junta de advogados que contava com uma forte estratégia de incitação pública, seja através das mídias disponíveis na época e de alianças como movimentos pelos direitos dos negros na América do Norte – um acalorado debate sobre questões raciais nos Estados Unidos. Já que, segundo matéria de título ‘’Caso O.J. Simpson: julgamento do século eletriza Estados Unidos nos anos 90‘’, publicada no dia 02 de outubro de 2013:

‘’…No inquérito foram reunidos diversos indícios de culpa de O.J. Simpson, mas advogados hábeis e um juiz da Califórnia conseguiram que o corpo de jurados de maioria negra, exposto a argumentos de teor racista, declarasse o réu inocente, em 3 de outubro de 1995. Nenhum outro julgamento por crime de morte nos EUA teve tanto público: brancos o consideravam culpado e negros, inocente.’’

E é para a construção desta imagem percebida para a formação da opção publica que áreas como o marketing se apropriam da prática de ferramentas como o Branding. Que é portanto uma atividade estratégica, de conceituação e planejamento. E mesmo sendo muito compreendida apenas como uma ferramenta usada numa fase inicial do negócio para a criação de uma identidade visual da empresa. Esta área do marketing vai além, com o objetivo de gerar um projeto integral de Branding para alcançar uma posição única no imaginário, na preferência, na admiração e, portanto, no coração do consumidor de uma determinada marca-empresa.

            Atuando através de fatores importantes para a valorização da marca e influencia no comportamento dos clientes. Trabalhando para gerar uma forte identidade corporativa e um bom posicionamento no mercado, a fim de converter rendimentos estáveis e seguros a longo prazo, destacando e construindo valores intangíveis, como a singularidade e a credibilidade, buscando a diferenciação no mercado.

E nessa força de construção da imagem percebida e admirada pelo público, no campo as assessoria de comunicação, encontramos nos veículos de mídia como uma aliada fundamental.

Veículos estes que são estudados por seus papeis na formação e, consequentemente, definição da opinião pública. Assim como apontado por Tuzzo (2012), que “através de suas mensagens, de seus códigos linguísticos, de suas formas subliminares de transmissão de informações e pela construção e reafirmação de ídolos, capazes de instigar a massa com suas interpretações de fatos” (TUZZO 2012, p.586). Levantando ainda em seus trabalhos a hipótese da agenda-setting norteada pelo trabalho de direcionamento dos públicos sobre o conteúdo e a forma como este deve ser pensado pela sociedade. E é sobre a validade midiática que a autora postula:

           ‘’ Justamente pela sua natureza não efêmera, a imprensa oferece dados julgamentos que ajudam   o consumidor da cultura de massa a tomar decisões cotidianas. Isso significa selecionar informações ou formar opinião sobre os protagonistas dos espetáculos sociais. Apesar de ser restrito ao público leitor de jornais, devemos lembrar que esses meios funcionam como mediadores entre as elites e a sociedade, principalmente através dos líderes de opinião, que influenciam os grupos minoritários onde estão integrados. Além disso, a imprensa constitui fonte de informação decisiva para alimentar os programas de rádio, permitindo assim que notícias sobre a Indústria Cultural sejam ampliadas para as camadas que não sabem ler ou que não cultivam a prática da leitura. (TUZZO, 2012, p.5)’’

Não distante desta função de bússola das interpretações e sensações que busca causar nos públicos a quem se destina, as áreas da publicidade e propaganda, um potencial braço das assessorias de comunicação, usam de modelos estratégicos como as storytellings para, como observa Rafael Rez (2017), criar peças dotadas de ‘’um forte apelo emocional, uma variável constante nos processos de compra no mercado’’ através de ‘’um método que promove o seu negócio sem que haja a necessidade de fazer uma venda direta, em outras palavras, o Storytelling tem um caráter muito mais persuasivo do que invasivo.’’

Método que vem se tornando uma tendência cada vez mais usada. Rez reforça a importância das storytellings, citando em seu artigo ‘’ O que é storytelling?’’ para o portal Nova Escola de Marketing, usando o exemplo da estratégia adotada pela Coca-Cola para destacar:

‘’…É muito importante que você envolva a marca na história que você vai contar. Um  case a ser analisado e estudado é a Coca-Cola – que cria uma atmosfera motivacional e aspiracional. A empresa vende felicidade e desejo de revolução pessoal e, implicitamente leva o seu produto, até mesmo para pessoas que contestam os aspectos ligados à saúde do refrigerante.
O fenômeno Coca-Cola gera, diariamente, milhões de compartilhamentos e citações sobre as peças criadas nos mais diversos meios digitais. Um processo que evangeliza o consumidor final e propaga a marca em todos os cantos do mundo.’’ (Rafael Rez, 2017)

            É claro que, em plena era da informação e do compartilhamento de experiências que estamos passando, a blindagem total da imagem de personalidades, mascas e empresas se torna cada vez mais distante. Porém, há no uso adequado dos meios de comunicação um importante instrumento para a assessoria de comunicação para amenizar, contornar e, consequentemente, até mesmo estabelecer uma posição desejada para a visão da imagem percebida do assessorado. Seja reforçando e fidelizando o que já sentido e percebido pelo público a quem as mensagens e experiências de mídias são destinadas, seja aguçando o interesse e a curiosidade de novos públicos a quem aquela o assessorado ainda nem mesmo poderia supor que poderia atingir.

E justamente por estarmos passando por tempos em que é cada vez maior o acesso a uma infinidade de informações a serem consumidas. O uso dos meios de comunicação adequados para cada tipo de público, através de conteúdos customizados feitos através de uma curadoria, se mostra uma alternativa inteligente para uma entrega completa do que o público deveria pensar, admirar e sentir sobre o que se é comunicado.

O que se reforça através da teoria de Herbert Marshall McLuhan, que postula que ‘’ O meio é a mensagem’’ através de estudos apresentados em Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem.
Sendo que, sobre o poder dos meios para a construção dos fatores que irão atuar na percepção pela opinião pública, McLuhan destaca:

“Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam. O meio é a mensagem porque é o meio o que modela e controla a escala e forma das associações e trabalho humanos” (Marshall McLuhan).

            Nos levando a concluir que tão importante quando é a opinião pública para o trabalho das assessorias de comunicação, é o seu poderoso papel de influência e desenvolvimento da opinião pública. Uma vez que este seja feito de forma estratégica, atenta, compreendendo e respeitando o potencial dos meios e mídias com as quais as assessorias irão aplicar suas técnicas.

Referências:

BERNARDES, Priscilla Guerra Guimarães; TUZZO, Simone Antoniaci. Revista Veja: Doxa travestida de episteme. Quando a opinião se camufla no Jornalismo.
MCLUHAN, Marshall. O meio é a mensagem. Ed. Record. Tradução: Ivan Pedro de Martins. (com Quentin Fiore). 1969.

NOVA ESCOLA DE MARKETING – http://www.novaescolademarketing.com.br/marketing/o-que-e-storytelling/
ACERVO O GLOBO
http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/caso-oj-simpson-julgamento-do-seculo-eletriza-estados-unidos-nos-anos-90-10229001#ixzz4eADfbr4T

 

 

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Observando o infinito

Ela diz que ele é o amor da sua vida. Mas ele, que já prometeu a eternidade a outras apaixonadas, não terá toda a vida dela para amá-la.
Seus cabelos, já acinzentados, começam a embranquecer enquanto os dela não param de ganhar novas cores. O corpo dela parece florescer para enfeitar o outono dele. E à medida que a cabeça dela começa a entender a vida a dele dá sinais de querer esquecer.

E eu, do lado de cá, não sei se sinto inveja ou pesar.

Pena por eles terem descoberto esse amor tão eterno quando ele já não tinha tanto tempo para cumprir promessas e ela tanto pela frente para lembrar que, um dia, amou por tão pouco um amor para tanto. E a inveja dos que, desacostumados a andar de mãos dadas, admiram aqueles que ignoram as garantias do tempo e escolhem amar infinitamente por pouco o que será para sempre.

Texto que publiquei no portal  A Redação
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”SEM ‘AH’S…’ E ASPAS, VIVER E PONTO” para o @ColetivoWeLove

Ao recusar um bom freela, que seria pago por mês e me traria um bom rendimento mensal a ser economizado para o investimento em coisas que me são importantes, a cliente em potencial, incrédula do meu aparente ‘’pouco caso’’ com a proposta, sarcasticamente me indagou: ‘’Mas quer dizer que você não gosta de dinheiro, então…?’’.

Vamos a proposta:

Nela, eu ficaria com a responsabilidade de, diariamente e a qualquer momento, de segunda a segunda, estar disponível para gerar conteúdo e gerenciar suas redes sociais. Sobretudo, o Instagram. Criando, através de textos ‘’espirituosos e bem-humorados’’, a imagem de um viver saudável, feliz e conectado com a ideia de uma vida plena e bem aproveitada. Para isso, meu iPhone não pararia de apitar, meus papos desencanados na hora do almoço seriam trocados por áudios de urgência no WhatsApp, olhos seriam trocados pela tela do celular e, no lugar de aproveitar o assunto que correria bobo na mesa, eu estaria seriamente compenetrado em achar a reflexão exata para com primor sobre a importância de viver o momento em uma legenda que deveria soar inspiradora. Depois disso, teria que ficar usando uma ida ou outra até a garrafa de café para, no lugar de respirar entre um job e outro, pensar na próxima legenda que falaria de… Sei lá… “Importância da meditação e da abstração para encontramos o melhor em nós’’. Sem falar das noites que me sentiria culpado em, mesmo chegando em casa exausto, querer deixar aquele texto sobre ‘’a importância de uma noite bem dormida’’. E, claro, produzir madrugada adentro relatórios do desempenho daquele dia no resultado de crescimento do perfil.

De manhã, depois de ser acordado por mensagens urgentíssimas às 5 horas, depois de ter ido dormir às quase 3 horas da mesma manhã, teria que, sonolento, escrever algo bem solar para desejar um nascer de dia com muita energia positiva. Sendo que, depois – claro -, aproveitaria a viagem de Uber para responder e-mails sobre demandas futuras. Prometendo para o final de semana a resolução de pautas da próxima semana. Ah…Como seria interessante falar de um viver tão intenso sem…Viver.

Portanto, pensando em não deixar de olhar para o lado pra ficar olhando para baixo, trocando o olho no olho por olho na tela do celular, deixando viver o que acontece na realidade para viver escrevendo sobre uma vida inventada no meu bloco de notas, disse não. Disse não ao dinheiro que poderia me levar para, quem sabe, estar do lado de um grande monumento que eu idolatre, mas que não me permitiria estar ao lado e verdadeiramente fazendo coisas que eu realmente amo.

Não quero me sentir culpado pelo descanso do fim do expediente. Nem me sentir mal por preferir estar com os amigos no lugar de escrever uma lista sobre os ‘’top lugares para se encontrar os amigos’’ (esse ‘’top’’ no texto contém ironia).

Gosto de andar de cabeça erguida e atenta, não abaixada e alheia ao momento. Sinto que as melhores sacadas vêm das memórias que guardamos na saudade das coisas aconteceram. Das coisas que nossa percepção estava aberta para experienciar e receber. Não de pesquisas online.

Eu desisti do freela para não dizer “não” para os próximos sorrisos e, principalmente, não me negar o prazer dos próximos sins… Porque eu prefiro sentir saudade, essa expressão tão brasileira usada para descrever sentimentos de vivências, a sentir a falta trazida pelo arrependimento da ausência de ter estado onde eu ‘’estava’’; ter conversado com quem eu ‘’conversava’’, assistido ao que eu ‘’assistia’’ e vivido o que eu ‘’vivia’’.

Eu fiz uma escolha de vida: pensar sobre pontos finais, rir e chorar por exclamações, supor reticências, ter uma ou outra interrogação. Que, convenhamos, acontecem. Okay.  Mas ‘’ah’s…’’ e aspas, essas não. Essas eu não quero nem entre vírgulas. E portanto, ponto.

  • Essa é uma das minhas contribuições para o Coletivo We Love. Para dos meus textos meus para o site, clique AQUI
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”ENTRE A QUINTA AVENIDA E AS PRIMEIRAS NECESSIDADES” para o @ColetivoWeLove

O mais cruel em ”virar gente grande” é ter que mensurar sonhos, dar tamanho para o que se deseja, ponderar entre aspirações e necessidades e, frequentemente, escolher.

Nós, quando desejamos a liberdade, não cogitamos o ato da escolha. Por anos de espera, nutrimos a ideia de uma vida sem fronteiras entre o que sonhamos e o que precisamos para viver. Colocamos tudo numa lista e acreditamos na sua realização absoluta com os ”okays” que iremos preencher em cada uma das caixinhas esperando por rabiscos, que – diz a lenda – originaram o logo da Nike. Aliás, quem eu também culpo por esse leve despreparo e imaturidade na hora de optar, afinal, nem tudo é tão fácil para ”Just do it”. Infelizmente.

Nesse momento, espero a resposta da aprovação ou não de um financiamento imobiliário para comprar aquele que será o meu primeiro e, possivelmente, único apartamento. Um objetivo muito claro para um filho de pais solteiros, ou seja, uma bandeira sem território, que sempre viveu sob tetos construídos para famílias das quais faz parte, mas não por inteiro. Aliás, em casas divididas entre a.C e d.C, antes e depois do atual casamento, a prioridade é sempre de quem tem seu nome escrito no ”novo testamento” (se é que vocês me entendem…). Nada que precisa ser explícito, mas fácil e até justo de subentender.

E é nessa esquina da vida que o sonho de realmente pertencer a um lugar no mundo se choca com a necessidade de começar uma cruzada em busca de lugares, culturas, línguas, gostos, cidades, pessoas que ele – esse mundo – tem para me mostrar, no exato trecho do caminho em que a busca pelo pouso atrapalha a força que promove a decolagem.

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Questões como ”É mesmo aqui que eu quero estar? E esse é mesmo o meu lugar?”, ”Até quando?”, ”Eu devo esperar?”, ”De quantos itens dessa minha lista eu pretendo abrir mão por esse master item?”, “E tentar a sorte fora de Goiânia?”, “E tentar morar fora do país por uns tempos?”, são a pauta, desde o momento em que eu assinei o papel que pode comprometer boa parte da minha renda real (aquela pouco otimista que não inclui os freelas). Vozes conformistas brigam com o desejo imediatista de desistir do dinheiro de tantos meses de economia por alguns dias em Nova York. Que, aliás, vai ficar mais alguns anos no pedestal que classifica como supérfluo tudo aquilo que parece não conseguir alcançar.

Supérfluo?

Como alguns dias pelas ruas rabiscadas em paredes por Basquiat e em papéis por Jay-Z podem ser considerados como algo menos urgente? Como a vida adulta tem esse poder de reduzir alguns daqueles desejos que parecem tão existenciais quando o sonhamos, né? Como?

Uma vez, conversando com um desses amigos que faz de qualquer papo uma epifania, me sentenciou que, claro, somos sim escravos da nossa liberdade, reféns das escolhas e, cada vez mais, consumidos por tudo aquilo que optamos por consumir. Acho que a compreensão do nosso livre arbítrio merecia uma grade disciplinar na nossa vida escolar e atenção especial de todos aqueles que nos instruem.

Além disso, a vida poderia ser mais leve. As promessas da fase adulta poderiam ser mais reais quando somos pequenos. Os aplausos da infância poderiam ter sido mais seletivos para nos dar a real proporção dos nossos talentos e até um tanto a mais de humildade. Os sonhos poderiam ser menos insistentes e a gente mais conformado. A gente podia ser mais grato a cada oportunidade. Mas o fato é que eu sou um desses insatisfeitos crônicos que, pra complicar o meio de campo, não nasceu numa realidade socioeconômica bem distante do ideal para cumprir com todos os itens de uma lista interminável de sonhos, assim como tantos que leem esse espaço.

E é nessa eterna batalha do Querer X Poder e Sonho X Realidade, que eu calço os meus Nikes quase toda manhã, desejando o dia em que vá caminhar para uma realidade onde eu posso mais “just do it” sem tanto “think about it”.

Me espera, Empire State?!

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Da série #NuncaTePediNada: Vem me ler no @ColetivoWeLove

Para quem não sabe, desde o meio do ano passado, eu contribuo com textos para um coletivo de autores chamado We Love. E pensando em movimentar um pouquinho isso aqui, vou postando um textinho aqui e outro ali dos já publicados, convidando vocês para visitar o meu espaço lá. Tá bom? Espero que gostem… Clique AQUI e bóra lá?!

A VIDA ESCREVE CERTO POR TRILHAS TORTAS

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Eu por @BaSimoess

Não tenho uma relação com a natureza. Minha mãe até tentou me colocando no clube de escoteiros quando pequeno, mas não sai de lobinho. Dos acampamentos e das reuniões, só guardei o lema de fazer o melhor possível, em tudo.

Sempre fui de aproveitar os feriados para cobrir algumas das minhas ausências ou para aumentá-las em maratonas intermináveis de filmes, séries e leituras. Mas, no carnaval desse ano, resolvi fazer algo diferente (leia com voz caricata imitando aquela travesti engraçadíssima) e cedi ao convite dos meus amigos de uma viagem para a Chapada dos Veadeiros, aqui em Goiás. No roteiro: caminhadas, trilhas e uma aguda ausência de conexão com qualquer nível razoável de internet. Ou seja: detox de mim mesmo.

Entrei no clima. Reassisti ”In to the wild”, ouvi repetidamente a trilha sonora do filme, intensifiquei a meditação e acreditei que o Alexander Supertramp que vivia dentro de mim estava preparado. Mas, tal como Christopher Johnson McCandless, o meu desejo de aventura não é suficiente para vivê-la.

No segundo dia, depois de termos feito o Vale da Lua, dedicamos o sábado de carnaval ao Parque Nacional da Chapada e a trilha de 10 km (ida e volta), em mata fechada, que nos levaria até os cânions e a Cachoeira das Cariocas. No começo da caminhada de altos, baixos, pedras e elevações, debaixo do mais forte sol do cerrado, tropecei, cai e rolei. Ri, meus amigos riram e todo mundo ficou com um pé atrás com a minha coordenação motora e capacidade para seguir em frente. Tinham razão, mas eu já não sou do tipo que desiste fácil. Uma vez, inclusive, quase desencarnei tentando acompanhar o ritmo de uma turma de spinning (mesmo nunca ter feito aquilo antes depois de anos da mais profunda vida sedentária – que voltei a viver, a propósito).

Segui em frente. Cheguei aos cânions. Não topei algumas vistas por medo de altura, mas fui. Depois de quase três horas debaixo de um sol a pino, seguimos para a Cachoeira das Cariocas. Ralado, cansado, com as pernas implorando descanso e com sede, decidi que não tentaria descer em meio as pedras para chegar até elas.

O mal humor causado pelo calor já havia me dominado. E, mais do que isso, pensei que poderia dar trabalho aos meus amigos caso aquele mal estar, gerado pelo sol, piorasse a ponto de me impedir de ter autonomia e agilidade na volta. Enviei uma mensagem (na Chapada o sinal telefônico não decepciona) avisando que tentaria voltar sozinho e comecei o caminho de volta à entrada do Parque.

A cada passo que dava na volta, amaldiçoava mais minha decisão de ter topado a caminhada e lamentava a sede que aumentava proporcionalmente as dores e o cansaço nas pernas. Queria fechar os olhos e meditar durante a caminhada, mas isso poderia me fazer cair pela terceira vez. Por isso, resolvi focar no caminho e torcer por um milagre… E, de repente, ele veio em forma da chuva mais generosa que eu já tive o prazer de não só tomar ”O” banho, mas lavar a alma. Chuva que, em dias comuns, fujo pra não ”estragar o tênis” ou me bagunçar para esse ou aquele compromisso, veio para me conectar com (dadas as devidas proporções) os meus porquês ali: minha saudade de nadar, minha relação com a água e, principalmente, com a necessidade de ser mais grato e menos reclamão.

Porque, sérião… Como a gente perde muito somatizando chateações por um dia ruim, esquecendo que, no outro dia, tem outro dia. Que, às vezes, pode ter uma trilha muito mais fácil, cachoeiras mais possíveis e um showzinho acústico para coroar a noite com o mais delicioso dos jantares. Por exemplo.

 

 

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“The Creators Shift”: documentário destaca criadores sobre o conteúdo digital no Brasil

Documentário gravado no youPIX Con deste ano, que aconteceu em setembro, o “The Creators Shift” mostra alguns dos principais  YouTubers,  viners, instagrammers, snapchatters brasileiros chegaram ao nível de grandes formadores de opinião digitais, além  da imensa variedade dos conteúdos que eles criam e o grande engajamento que eles conseguem com seu público.

Play pra ver e, quem sabe, até aprender um pouco (né?!):

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Máquina mortífera

A moda parece estar em crise. Mas não por falta de criatividade, mas sim pela ausência do tempo para encontrar as ideias e inspirações que a alimentam.

Em um mundo que anda muito mais Zara e menos Prada, a velocidade que alimenta o consumo substituiu o tempo necessário para a maturação de influências fazendo de estilistas, antes poetas que criavam para embalar grandes e duradouros amores, versistas de repentes interessados em fazer rimas de efeito e pouca profundidade para influenciar urgentes e passageiras paixões. Um pesar que tem levado os verdadeiros escritores das mais arrebatadoras histórias contadas pelas passarelas a lona, pela exaustão causada pelo desumano ritmo do varejo.

Lendo sobre as últimas baixas provocadas por essa pressão causada pela loucura consumista pela próxima grande tendência, a próxima it-bag e a próxima campanha/ação de efeito ligado a marca, que levou a Raf Simons a desistir da Dior, Alexander Wang a sair da Balenciaga e Alber Elbaz a ser demitido (talvez essa seja a mais sentida) da Lanvin. Lembrei de uma entrevista da  (publicitária) Fernanda Romano falando dessa mesma angústia mandona e mimada das marcas pela busca de resultados  afetando a qualidade do trabalho criativo das agências:

Mais triste que lamentar o fato de criativos abrirem mão de suas paixões pela estafa causada pela pressão dessa necessidade irracional de venda e consumo, é a constatação de que ele não é passageiro. Já que, a cada dia, trabalhando e observando mercados criativos agirem de forma covarde e servil aos desejos ‘’urgentes’’ de clientes acostumados a se referir a qualquer demanda deliberada sem planejamento  como emergencial, sinto que o verbo ‘’resolver’’  tem virado o novo ‘’encantar’’. O que é terrível.  Já que nessa corrida cada vez mais acelerada que a o mercado coloca os criativos para ir rumo a destinos cada vez menos profundos, aqueles que vivem de inspirações seguem olhando reto, perdendo a oportunidade de passar com paciência pelos caminhos menos óbvios aonde chegamos às melhores ideias.

 

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