Vinte e poucos anos, e tantos outros clichês

Depois do medo de chegar aos 18, cruzar a fronteira final dos 19 e enfim chegar aos 20. Tive e tenho que conviver com a realidade, a relação com o tempo e tantos outros clichês bem comuns da fase, que em estando em plena véspera de chegar na metade deste negócio, posso falar com uma certa segurança  de algumas das experiências pelas quais passei, que sem querer generalizar mas já generalizando, são comuns daqueles que também estão passando ou já passaram por esse ‘’turbilhão’’

Isso mesmo! Turbilhão. Que pra mim começou com dor e frustração, ao me ver em plena e definitiva fase adulta sem ter conquistado metade das coisas que ambicionava aos 15, 16 e 17 anos. Aos 18, o mundo que eu conhecia terminou. Meus amigos mais inseparáveis se separaram de mim pela força das circunstancias, não ganhei um carro, não tinha entrado na faculdade, não tinha achado o meu espaço no mundo, nem sabia o que eu queria de fato.

Aos 20 conclui a tal da derrota daquilo que eu tinha projetado e não tinha conquistado, chorei por ainda ser o contrário do alguém que eu nem sabia quem eu queria que eu fosse, lamentei o resultado de algumas escolhas erradas, de não ter vivido o suficiente até então, ou o fato de eu não ter aproveitado a falsa falta de preocupação real com a vida pra ter ‘’despirocado’’ de vez.

Só que aí caiu a ficha e eu me vi fazendo escolhas mais pautadas na realidade, traçando objetivos, mudando perspectivas, buscando e criando oportunidades, crescendo e aprendendo na prática que viver não era tão melhor assim que sonhar, como um dia escreveu Belchior… Mas que definitivamente, viver colocando idéias em prática é mais efetivo que sonhar.

E é sonhando menos e fazendo mais, que me vejo muitas vezes repetindo modelos e discursos clichês como o do cara solitário, do profissional workaholic, do homem comprometido com relações de trabalho, focado na carreira e naquela piração paradoxal, que ao mesmo tempo tem uma atitude toda ‘’whatever’’ para opinião alheia…, busca por aprovação quase que viciosamente. Doido, né?!

Mas aí a coisa volta ao começo, o turbilhão volta a girar, as ambições, as buscas, a correria, as decepções, o drama e até a falta dele pela frieza que começa a tomar conta de nós… E como em um milagre sonhar passa a ser mais interessante que viver, fazendo a gente projetar no futuro um futuro melhor. E é aí, que os 30 se transformam nos novos 20. E a vida volta a ser um clichêzão…🙂

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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5 respostas a Vinte e poucos anos, e tantos outros clichês

  1. Bruna diz:

    Adorei, Delan! Me vi nesse texto também.
    E me bateu uma tristeza misturada com alegria
    e alívio por saber que não sou a única! rs
    Te adoro! Beijo beijo :*

  2. Cathy diz:

    NOSSA! Sou eu aí? rs. Sonhar aos 15, acordar aos 21 e perceber que praticamente nada foi concretizado. Porém a busca não para, não é mesmo?

  3. Adorei o texto e adorei o seu blog tambem. Estou começando o meu e gostaria de saber se você poderia me seguir tambem e se gostar de algo por favor divulgar. Espero que possa. Grande abraço!

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