Sobre o poder de um NÃO bem dado…

Começo essa reflexão afirmando para você, caro leitor, que viver não é, nunca foi ou será fácil. Viver, seguir em frente, partir para outra e continuar caminhando é pra quem tem fibra, coragem, senso e respeito com a vida.

Mas aí…, dentro desse quadro de “ou vai, ou racha’’ – que é a vida de fato, como inserir aqueles que simplesmente não aceitam ou compreendem os motivos por trás dos sim’s e nãos da jornada de aprendizagem, assimilação e compreensão das regras básicas do viver e conviver? Mais especificamente. Como administrar uma sociedade onde temos que nos relacionar com pessoas que, para serem poupados de traumas, tristezas, insatisfações, ou qualquer tipo de possível incomodo, passam uma vida inteira sendo poupados de ouvir e, consequentemente, assimilar e aceitar um NÃO.

“Não”. Essa negativa tão poderosa que, ok!,  nos traz tristeza, mágoa e até a depressão. É também a palavra que nos sacode, nos tira do eixo e nos obriga a, de alguma forma quase que ‘’fênixiana’’, a nos reinventar, sair do eixo que estávamos acostumados a circular e descobrir novas rotas para nos expressarmos e ir mais longe.

De verdade. Eu consigo ter (muita) pena desta geração que vem crescendo sem o luxo de ouvir um ‘’isso não”, ou ‘’não agora’’, ou ‘’desse jeito não’’, simplesmente pelo fato de seus pais/responsáveis os condenarem a uma obrigatoriedade nada pedagógica de serem felizes, sem fazê-los entender que na verdade, a felicidade – essa nova ditadura contemporânea – é fruto de merecimento.

E é nessa de querer que o filho seja feliz a qualquer custo, de qualquer jeito e por tudo que é mais sagrado, que vemos cada vez mais pequenos reizinhos e mini-rainhas crescerem sem foco, certeza ou real sendo do que realmente os farão feliz, até mesmo porquê, na urgência de atender os seus apelos, muitos de nós nem mesmo os deixam refletir, ansiar e desejar aquela ou essa razão da felicidade. Tudo se tornou urgente, mas ao mesmo tempo pouco relevante. Porque devido ao fato de ser detectada sua necessidade máxima em tão pouco tempo e por ser atendida em um prazo menor ainda – até mesmo do que a própria descoberta,  devido ao medo da infelicidade que um atraso qualquer possa causar, criamos seres que não entendem ou não valorizam suas conquistas, até mesmo porque para eles não existem conquistas, uma vez que sem luta, espera ou trabalho não há merecimento e, portanto, realização e felicidade por aquilo conquistado.

E é aí que a porca torce o rabo. Já que na luta feroz contra qualquer possibilidade de infelicidade para os nossos pequenos, infelizmente criamos uma safra de gente grande fraca, mimada e imediatista ao ponto que, por uma ansiedade gerada devido aos anos de desejos sendo atendidos em velocidade recorde, acabam se rebelando contra a ordem das coisas e dos nãos da vida ao ponto de: não conseguirem construir carreiras por não esperarem crescerem em seus empregos, agressões reais e virtuais devido a não aceitarem negativas em relacionamentos amorosos, péssimos ouvintes,  imbecis impiedosos e impacientes com as impossibilidades da vida e multitalentosos sem talento nenhum – justamente por não darem sequência a nenhum de seus imensos e incríveis talentos, porque, não aceitaram esperar para mostrar o quão capazes eles são, ou porque não podiam esperar o suficiente para atingir a felicidade.

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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