Me sinto só, me sinto tão…

Banda mineira da mais alta estirpe da safra do pop-rock nacional nascido nos anos 90, a Skank, que eu adoro, é cheia dessas músicas nos fazem sentir fazendo sentindo ao serem ouvidas nos momentos mais oportunos da vida: pés-na-bunda, fins de relacionamentos penosos e tristes, ao vivermos amores otimistas e inabaláveis e até mesmo pra fazer uma esquenta antes de assistir uma partida de futebol. Mas, eu talvez nunca tivesse dado o real valor para a interpretação – pessoal, é claro! – de algumas delas como a radiofônica, clássica, gostosa e chicletóza Tão seu.

Bem, a história da musica todo mundo sabe, né… Um cara que de tão apaixonado, grudento e desesperado pra não ficar um minuto sequer longe da sua amada, vive fazendo planos e apontando sugestões de compromissos para os dois, apaixonados, nunca se deixarem. Pois mesmo algumas horas do dia longe dela o deixariam a beira da sensação da mais profunda e impossível solidão. Então, pra declarar essa sua impossibilidade quase que respiratória perante a ausência da sua amada, ele repete de maneira ritmada e inesquecível o refrão que muita gente cantarola quase sem querer quando ouve pelo qualquer nota da música, repetindo e repetindo ‘’me sinto só, me sinto só eu me sinto tão seu…’’, né… Quem aí mais ou menos na casa dos 20, 20 e poucos e 30, nunca fez isso?

Mas a grande questão que de fato me encafifou a ponto de querer escrever sobre esse encafifamento é a que e se, mesmo se sentindo e sendo só, alguém não se sentir pronto ou certo de que é de alguém? É errado estar com alguém, gostar de estar na sua presença, aproveitar da sua companhia e até sentir sua falta, sem necessariamente ter que ser dessa pessoa? Nós realmente sempre precisamos dessa sensação de posse e pertencimento? E até onde isso nos torna mais dos outros e menos de nós mesmos? Até onde o ‘’meu este’’, ‘’minha aquela’’, nos separa dos nossos ‘’meu eu’’, nos dando alguém pra chamar de nosso/nossa e roubando o prazer e a inteligência de vez ou outra, estarmos sozinhos? Enfim, por que então – numa sociedade que nem mesmo se olha nos olhos por causa das pelas dos smartphones, ainda tem tanta gente tão desesperada para pertencer a alguém, a ponto de deixar sua ideia de individuo para ser um casal?

As vezes sinto que é possível, mais fácil e até mais corajoso ser só, sendo de ninguém mais além de si próprio. Mas sou um caso meio complicado. Me blindei pro amor que transforma 2 em 1, pela construção de ser 1 completo. Por falta de inadequação estética, um tanto de egoísmo e por uma objetividade quase árida para tratar desse tipo de assunto, quando, no lugar, deveria ser doce e suave. Mas, às vezes, passando por cima de qualquer recalque eu me pergunto: Será que essa necessidade louca de pertencer ou assumir a posse alguém sobre as nossa vidas, na verdade, não é uma forma de escapar da construção de uma identidade unicamente particular e individual? E mais: Até quando as pessoas não vão notar que quanto mais precisamos preencher nossas vidas com compromissos ligados a alguém, só pelo simples fato de não suportarmos a ideia de estar em contato com ela ou ele por algumas horas do dia, é que na verdade significa o fato que devemos mesmo é passar mais tempo com nós mesmos? 

Pra nos entender, pra nos confortar, refletir e pra nos fazer compreender o valor da nossa solitária e tão completa companhia, uma vez ou outra, só pra variar.

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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