Do lápis ao teclado

Escrevo.
Porque sinto que minhas capacidades não conseguem outra maneira de permitir que as ideias existam. Eu queria poder maiores talentos. Mas só me sobrou à escrita, batucada em um teclado de computador como estou fazendo agora ou feita a mão com papel, lápis ou caneta.

Espero a ideia, depois não acho a palavra e nunca sei por onde começar. Erro, apago, rabisco, refaço. Como é vagarosa essa maneira que a vida escolheu me dar para falar sobre ela.

Fotografar com talento talvez fosse mais fácil. Congelar o momento, deixar a memória falhar do que acontecera ali em volta do clique e só me lembrar do que poderia ver para sempre. Mas não. A cabeça quer guardar detalhes, falar da minucia e escarafunchar o momento para guardar cada arrepio, susto, vazio, amargura, solidão, alegria e sensação vivida.

Depois de todos os por quês e porquês, ainda sigo me perguntando o motivo da necessidade de não deixar qualquer sentimento ou ideias escaparem da palavra. Sigo querendo saber. E é escrevendo sobre o motivo de sempre ter que escrever é que noto que é transformando em linhas o que se imagina é que se torna real, possível e compreensível o que é até mesmo insano, impraticável e impronunciável.

Pra existir, pra desabafar, pra eternizar e até esquecer, as palavras reivindicam folha em branco.

Só lamento não a mão pra fantasia, para o romance, pra mentira doce de ler, comentar e ouvir. Escrevo por necessidade, herança e maldição. Necessidade de falar de mim e das coisas, herança que me deixa orgulhoso e com medo do fim, e pela maldição de ter a noite como habitat e a solidão como necessária companheira.

Por fim, escrevo, porque os pensamentos precisam de palavras e as palavras precisam de papel.


Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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2 respostas a Do lápis ao teclado

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