Nada de ”Não me toques”

‘’Não olha pra mim assim se não eu choro. ’’
‘’Nem chega perto se não eu arrepio. ’’
‘’Nem me abraça se não eu já começo a sentir saudade.’’
‘’Nada de conversar hoje. Do jeito que eu estou, te falo bem umas verdades. ’’

E assim a gente segue se negando ao direito de sentir e demonstrar os sentimentos. Dia desses estava bem comentando isso com umas amigas… Sobre essa nossa mania de sempre buscar um meio de espantar as pessoas e situações que podem nos fazer, de alguma forma, deixar passar o nosso lado mais frágil, verdadeiro e sensível.
Sempre que surgem situações como essa, do tipo que nos forçam a tomar algumas atitudes, eu solto a clássico clichê de que é ‘’Tudo culpa dos dias de hoje’’.
Mas…? Sei lá… Às vezes eu tenho a nítida impressão que as nossas reações estão todas padronizadas, que somos os mesmos e que existe muita pouca personalidade para tantos personagens que a gente acaba tendo que assumir pra enfrentar o passar dos dias. Os dilemas, as reponsabilidades, as posições que vão surgindo e os status que elas vão agregando à construção da nossa imagem externa, essa personagem que inventamos para os outros nos admirem e nos levem a sério, meio que parecem exigir a elaboração de uma casca de proteção dessa área das nossas verdades.

Com medo de revelar um lado mais humano, nos tornamos robôs. Já percebeu?
Estamos cada vez mais treinados para ter em mente a ideia de que um choro nos torna fraco, um medo assumido traz um atestado de vulnerabilidade e um receio confidenciado nos dá a fama de desequilíbrio. Na vida objetiva, a do trabalho e das obrigações, até acho válido (mesmo acreditando que os melhores gestores são aqueles que assumem todos os seus traços de personalidade com o objetivo de afinar os seus talentos e desenvolver outros pontos menos fortes com a sua equipe). Mas isso tem vindo cada vez mais pra vida ‘’fora do escritório’’, transformando pessoas em seres frios, guiados por interesses e pela busca de manter uma imagem sólida e gélida em todos os seus palcos onde se representa e onde se vive a vida.

Acho triste. Acho meio sem noção, o fato de negar a sua humanidade tentando chegar a um patamar de superioridade humana sem sensibilidade, tato e sem a companhia de pessoas reais para com quem a gente possa ser real.
A vida sem gente pra compartilhar ela não é uma experiência, é só uma passagem. Poder ser quem somos e nos permitir isso é um das melhores formas para se encontrar amigos da melhor qualidade.

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s