Aí eu baixei uma música do Luan Santana…

Por causa do arranjo, da melodia e até da letra, eu baixei uma música do (pasme se quiser…) Luan Santana.

É claro que, por um instante de segundo, me sento meio ‘’cult poser’’ ou algum tipo de traidor do movimento intelectualizado que odeia todo o tipo de manifestação too much mainstream de quinta categoria. Sem muito jeito nem em admitir para mim mesmo que eu havia feito essa blasfêmia de misturar um hit sofrência/sertanejo pop a minha playlist ecleticamente cool, que mixa clássicos de Maria Bethânia com pauleiras modernas de Jay-Z e Kanye West e muita música pop de pista, timidamente, não coloquei ‘’Escreve Aí’’ no meu iPod. Afinal, só Deus sabe o que aconteceria se algum dos meus amigos viciados em café, de óculos grossos e camisas xadrez diriam se me flagrassem na rua com tocando em alto volume os versos do tal príncipe sertanejo. Zuação eterna e uma boa dose de descrença a minha ‘’imagem Los Hermâmica’’ seriam algumas das minhas menores sentenças.

Contudo, algum instante depois do meu inicial pânico pela possível quebra da minha possível reputação, me lembrei que, além de eu ter quase 30 anos e isso ser um fator determinante para eu já ter passado da hora de estar mais seguro de mim, também havia baixado o cd incrível da Alice Caymmi, Rainha dos Raios, que, entre outras coisas, tem uma versão maravilhosa de ‘’Princesa’’, um top clássico do funk nacional. Quer coisa mais populacho-chic do que isso?

Dá-lhe MC Marinho!

Sério! De uns tempos para cá, depois de ver Caetano gravar música bem povão como a deliciosamente triste ”Você não me ensinou a te esquecer’’, cantada originalmente por Fernando Lemes e depois disso até mesmo por Chrystian e Ralf, Tiê suavemente sensualizar com classe o forrozão ‘’Você Não Vale Nada’’ do Calcinha Preta e até mesmo Maria Bethânia dar sentido de poesia cantada a Letra de ‘’É o amor’’ de Zezé de Camargo e Luciano, venho pensando que (geralmente) não é a música que é ruim, mas sim a forma com que ela te toca.



Musica foi feita pra dar voz ao momento, fazer companhia, traduzir o que a gente não sabe explicar. Não para separar as pessoas. Afinal, a gente já tem tantas formas de separar e afastar os outros, porquê ficar arranjando mais funções de formadora de picuinha para uma arte que, eu acho, nasceu para trazer para perto?

Aaah…Quer saber?! Adicionei o iPod. Sem medo, até cantarolo baixo (procedimento padrão para quem não sabe cantar e anda de transporte público). E, se você tiver sem medo e sem preconceitos, aperta o play aí pra ouvir ‘’Escreve aí’’:

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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