Máquina mortífera

A moda parece estar em crise. Mas não por falta de criatividade, mas sim pela ausência do tempo para encontrar as ideias e inspirações que a alimentam.

Em um mundo que anda muito mais Zara e menos Prada, a velocidade que alimenta o consumo substituiu o tempo necessário para a maturação de influências fazendo de estilistas, antes poetas que criavam para embalar grandes e duradouros amores, versistas de repentes interessados em fazer rimas de efeito e pouca profundidade para influenciar urgentes e passageiras paixões. Um pesar que tem levado os verdadeiros escritores das mais arrebatadoras histórias contadas pelas passarelas a lona, pela exaustão causada pelo desumano ritmo do varejo.

Lendo sobre as últimas baixas provocadas por essa pressão causada pela loucura consumista pela próxima grande tendência, a próxima it-bag e a próxima campanha/ação de efeito ligado a marca, que levou a Raf Simons a desistir da Dior, Alexander Wang a sair da Balenciaga e Alber Elbaz a ser demitido (talvez essa seja a mais sentida) da Lanvin. Lembrei de uma entrevista da  (publicitária) Fernanda Romano falando dessa mesma angústia mandona e mimada das marcas pela busca de resultados  afetando a qualidade do trabalho criativo das agências:

Mais triste que lamentar o fato de criativos abrirem mão de suas paixões pela estafa causada pela pressão dessa necessidade irracional de venda e consumo, é a constatação de que ele não é passageiro. Já que, a cada dia, trabalhando e observando mercados criativos agirem de forma covarde e servil aos desejos ‘’urgentes’’ de clientes acostumados a se referir a qualquer demanda deliberada sem planejamento  como emergencial, sinto que o verbo ‘’resolver’’  tem virado o novo ‘’encantar’’. O que é terrível.  Já que nessa corrida cada vez mais acelerada que a o mercado coloca os criativos para ir rumo a destinos cada vez menos profundos, aqueles que vivem de inspirações seguem olhando reto, perdendo a oportunidade de passar com paciência pelos caminhos menos óbvios aonde chegamos às melhores ideias.

 

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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