Da série #NuncaTePediNada: Vem me ler no @ColetivoWeLove

Para quem não sabe, desde o meio do ano passado, eu contribuo com textos para um coletivo de autores chamado We Love. E pensando em movimentar um pouquinho isso aqui, vou postando um textinho aqui e outro ali dos já publicados, convidando vocês para visitar o meu espaço lá. Tá bom? Espero que gostem… Clique AQUI e bóra lá?!

A VIDA ESCREVE CERTO POR TRILHAS TORTAS

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Eu por @BaSimoess

Não tenho uma relação com a natureza. Minha mãe até tentou me colocando no clube de escoteiros quando pequeno, mas não sai de lobinho. Dos acampamentos e das reuniões, só guardei o lema de fazer o melhor possível, em tudo.

Sempre fui de aproveitar os feriados para cobrir algumas das minhas ausências ou para aumentá-las em maratonas intermináveis de filmes, séries e leituras. Mas, no carnaval desse ano, resolvi fazer algo diferente (leia com voz caricata imitando aquela travesti engraçadíssima) e cedi ao convite dos meus amigos de uma viagem para a Chapada dos Veadeiros, aqui em Goiás. No roteiro: caminhadas, trilhas e uma aguda ausência de conexão com qualquer nível razoável de internet. Ou seja: detox de mim mesmo.

Entrei no clima. Reassisti ”In to the wild”, ouvi repetidamente a trilha sonora do filme, intensifiquei a meditação e acreditei que o Alexander Supertramp que vivia dentro de mim estava preparado. Mas, tal como Christopher Johnson McCandless, o meu desejo de aventura não é suficiente para vivê-la.

No segundo dia, depois de termos feito o Vale da Lua, dedicamos o sábado de carnaval ao Parque Nacional da Chapada e a trilha de 10 km (ida e volta), em mata fechada, que nos levaria até os cânions e a Cachoeira das Cariocas. No começo da caminhada de altos, baixos, pedras e elevações, debaixo do mais forte sol do cerrado, tropecei, cai e rolei. Ri, meus amigos riram e todo mundo ficou com um pé atrás com a minha coordenação motora e capacidade para seguir em frente. Tinham razão, mas eu já não sou do tipo que desiste fácil. Uma vez, inclusive, quase desencarnei tentando acompanhar o ritmo de uma turma de spinning (mesmo nunca ter feito aquilo antes depois de anos da mais profunda vida sedentária – que voltei a viver, a propósito).

Segui em frente. Cheguei aos cânions. Não topei algumas vistas por medo de altura, mas fui. Depois de quase três horas debaixo de um sol a pino, seguimos para a Cachoeira das Cariocas. Ralado, cansado, com as pernas implorando descanso e com sede, decidi que não tentaria descer em meio as pedras para chegar até elas.

O mal humor causado pelo calor já havia me dominado. E, mais do que isso, pensei que poderia dar trabalho aos meus amigos caso aquele mal estar, gerado pelo sol, piorasse a ponto de me impedir de ter autonomia e agilidade na volta. Enviei uma mensagem (na Chapada o sinal telefônico não decepciona) avisando que tentaria voltar sozinho e comecei o caminho de volta à entrada do Parque.

A cada passo que dava na volta, amaldiçoava mais minha decisão de ter topado a caminhada e lamentava a sede que aumentava proporcionalmente as dores e o cansaço nas pernas. Queria fechar os olhos e meditar durante a caminhada, mas isso poderia me fazer cair pela terceira vez. Por isso, resolvi focar no caminho e torcer por um milagre… E, de repente, ele veio em forma da chuva mais generosa que eu já tive o prazer de não só tomar ”O” banho, mas lavar a alma. Chuva que, em dias comuns, fujo pra não ”estragar o tênis” ou me bagunçar para esse ou aquele compromisso, veio para me conectar com (dadas as devidas proporções) os meus porquês ali: minha saudade de nadar, minha relação com a água e, principalmente, com a necessidade de ser mais grato e menos reclamão.

Porque, sérião… Como a gente perde muito somatizando chateações por um dia ruim, esquecendo que, no outro dia, tem outro dia. Que, às vezes, pode ter uma trilha muito mais fácil, cachoeiras mais possíveis e um showzinho acústico para coroar a noite com o mais delicioso dos jantares. Por exemplo.

 

 

Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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