O Papel da Assessoria de Comunicação na formação da Opinião Pública.

  • JUSTIFICANDO O POST:
    Faz alguns meses que comecei uma pós-graduação em Assessoria de Comunicação na UFG. Ação tardia, já que sou formado desde 2012. 
    Enfim…Durante toda a minha graduação, não tive nada na minha grade que incentivasse de fato uma atividade voltada para a geração de conteúdo para a academia. Portanto, para quem não escreveu nenhum artigo ao longo de toda a graduação – tirando o TCC, é uma comoção tamanha a ponto de querer postar aqui o meu primeiro artigo científico (mesmo tendo tirado apenas nota 8,00,tá…). 

 

Resumo: O texto a seguir pretende apresentar a força da influência do trabalho dos assessores de comunicação para a formação da opinião pública. Passando por especialistas e teóricos que já apresentaram discussões sobre este tema como Neal Gabler, Simone Tuzzo e Marshall McLuhan, a elaboração deste artigo também cita o famigerado caso do julgamento do ex-ídolo do futebol americano O.J. Simpson, como um exemplo de manipulação da opinião pública, e destaca técnicas como o branding e o stotytellig como importantes ferramentas para a construção de toda uma atmosfera de sentidos e sentimentos que pode ser alcançada através de um trabalho bem arquitetado pela equipe assessoria de comunicação.

 

Palavras-chave

Meio, mensagem, storytelling, branding, opinião.

    Lançando mão da citação de Neal Gabler (1999) utilizada em aula, que diz que “Vivemos cada vez mais em um mundo onde a fantasia é mais real que a realidade”, ressaltando que “estamos a ponto de nos tornar o primeiro povo da história a ter sido capaz de fazer ilusões tão vividas, tão convenientes, tão realistas, que podemos viver nelas.” Buscamos apontar para o papel da assessoria de comunicação, em seus aspectos e ações estratégicas, na formação da opinião pública.  (Ref. GABLER, 1999, pag. 11).

 Pois em tempos de excesso de informação, é inteligente gerar uma informação “envelopada” por uma experiência completa e de fácil percepção e compreensão sobre que esta busca atingir nos públicos a quem se direciona, com indicações claras do que os pertencentes deste público devem pensar, admirar e sentir sobre o que se é comunicado. O que, inclusive, pode ser muito bem observado no uso de teatralidades nas áreas da política, na religião, na educação, na literatura, no comércio e até mesmo para justificar conflitos e convocar manifestações, como podemos observar na atual história político-social deste País. Uma vez que, através de ferramentas e técnicas de para estimular um levante social, organizações e personalidades, seja pelo meios mais tradicionais da informação como os meios impressos e sobretudo das redes sociais, formaram movimentos e até mesmo ergueram heróis para lapidar seus conceitos e assim atingir a empatia de uma parcela generosa da opinião pública.

São incontáveis os casos da atuação de profissionais e equipes na formação da opinião pública. Sendo até, que um dos mais celebres deles, não foi feita nem sequer por uma equipe de assessores de comunicação de fato, como ocorreu no caso do amplamente explorado até hoje pela mídia, mercado editorial e até mesmo entretenimento (mais recente através da série de TV “American Crime Story: The People Vs. O.J. Simpson”, escrita pelo roteirista e diretor Ryan Murphy para o canal a cabo FOX) do julgamento do ex-ídolo do futebol americano que também se aventurara como ator coadjuvante em alguns filmes de Hollywood e em shows da TV, O.J. Simpson. Suspeito do crime de assassinato a facadas a segunda ex-mulher, a modelo Nicole Brown, e do seu suposto namorado Ronald Goldman, em junho de 1994. Pois, como documenta o site Acervo O Globo, que faz parte do Grupo Globo de Comunicação, o caso saltou da esfera criminal para devido a uma inteligente defesa arquitetada por uma junta de advogados que contava com uma forte estratégia de incitação pública, seja através das mídias disponíveis na época e de alianças como movimentos pelos direitos dos negros na América do Norte – um acalorado debate sobre questões raciais nos Estados Unidos. Já que, segundo matéria de título ‘’Caso O.J. Simpson: julgamento do século eletriza Estados Unidos nos anos 90‘’, publicada no dia 02 de outubro de 2013:

‘’…No inquérito foram reunidos diversos indícios de culpa de O.J. Simpson, mas advogados hábeis e um juiz da Califórnia conseguiram que o corpo de jurados de maioria negra, exposto a argumentos de teor racista, declarasse o réu inocente, em 3 de outubro de 1995. Nenhum outro julgamento por crime de morte nos EUA teve tanto público: brancos o consideravam culpado e negros, inocente.’’

E é para a construção desta imagem percebida para a formação da opção publica que áreas como o marketing se apropriam da prática de ferramentas como o Branding. Que é portanto uma atividade estratégica, de conceituação e planejamento. E mesmo sendo muito compreendida apenas como uma ferramenta usada numa fase inicial do negócio para a criação de uma identidade visual da empresa. Esta área do marketing vai além, com o objetivo de gerar um projeto integral de Branding para alcançar uma posição única no imaginário, na preferência, na admiração e, portanto, no coração do consumidor de uma determinada marca-empresa.

            Atuando através de fatores importantes para a valorização da marca e influencia no comportamento dos clientes. Trabalhando para gerar uma forte identidade corporativa e um bom posicionamento no mercado, a fim de converter rendimentos estáveis e seguros a longo prazo, destacando e construindo valores intangíveis, como a singularidade e a credibilidade, buscando a diferenciação no mercado.

E nessa força de construção da imagem percebida e admirada pelo público, no campo as assessoria de comunicação, encontramos nos veículos de mídia como uma aliada fundamental.

Veículos estes que são estudados por seus papeis na formação e, consequentemente, definição da opinião pública. Assim como apontado por Tuzzo (2012), que “através de suas mensagens, de seus códigos linguísticos, de suas formas subliminares de transmissão de informações e pela construção e reafirmação de ídolos, capazes de instigar a massa com suas interpretações de fatos” (TUZZO 2012, p.586). Levantando ainda em seus trabalhos a hipótese da agenda-setting norteada pelo trabalho de direcionamento dos públicos sobre o conteúdo e a forma como este deve ser pensado pela sociedade. E é sobre a validade midiática que a autora postula:

           ‘’ Justamente pela sua natureza não efêmera, a imprensa oferece dados julgamentos que ajudam   o consumidor da cultura de massa a tomar decisões cotidianas. Isso significa selecionar informações ou formar opinião sobre os protagonistas dos espetáculos sociais. Apesar de ser restrito ao público leitor de jornais, devemos lembrar que esses meios funcionam como mediadores entre as elites e a sociedade, principalmente através dos líderes de opinião, que influenciam os grupos minoritários onde estão integrados. Além disso, a imprensa constitui fonte de informação decisiva para alimentar os programas de rádio, permitindo assim que notícias sobre a Indústria Cultural sejam ampliadas para as camadas que não sabem ler ou que não cultivam a prática da leitura. (TUZZO, 2012, p.5)’’

Não distante desta função de bússola das interpretações e sensações que busca causar nos públicos a quem se destina, as áreas da publicidade e propaganda, um potencial braço das assessorias de comunicação, usam de modelos estratégicos como as storytellings para, como observa Rafael Rez (2017), criar peças dotadas de ‘’um forte apelo emocional, uma variável constante nos processos de compra no mercado’’ através de ‘’um método que promove o seu negócio sem que haja a necessidade de fazer uma venda direta, em outras palavras, o Storytelling tem um caráter muito mais persuasivo do que invasivo.’’

Método que vem se tornando uma tendência cada vez mais usada. Rez reforça a importância das storytellings, citando em seu artigo ‘’ O que é storytelling?’’ para o portal Nova Escola de Marketing, usando o exemplo da estratégia adotada pela Coca-Cola para destacar:

‘’…É muito importante que você envolva a marca na história que você vai contar. Um  case a ser analisado e estudado é a Coca-Cola – que cria uma atmosfera motivacional e aspiracional. A empresa vende felicidade e desejo de revolução pessoal e, implicitamente leva o seu produto, até mesmo para pessoas que contestam os aspectos ligados à saúde do refrigerante.
O fenômeno Coca-Cola gera, diariamente, milhões de compartilhamentos e citações sobre as peças criadas nos mais diversos meios digitais. Um processo que evangeliza o consumidor final e propaga a marca em todos os cantos do mundo.’’ (Rafael Rez, 2017)

            É claro que, em plena era da informação e do compartilhamento de experiências que estamos passando, a blindagem total da imagem de personalidades, mascas e empresas se torna cada vez mais distante. Porém, há no uso adequado dos meios de comunicação um importante instrumento para a assessoria de comunicação para amenizar, contornar e, consequentemente, até mesmo estabelecer uma posição desejada para a visão da imagem percebida do assessorado. Seja reforçando e fidelizando o que já sentido e percebido pelo público a quem as mensagens e experiências de mídias são destinadas, seja aguçando o interesse e a curiosidade de novos públicos a quem aquela o assessorado ainda nem mesmo poderia supor que poderia atingir.

E justamente por estarmos passando por tempos em que é cada vez maior o acesso a uma infinidade de informações a serem consumidas. O uso dos meios de comunicação adequados para cada tipo de público, através de conteúdos customizados feitos através de uma curadoria, se mostra uma alternativa inteligente para uma entrega completa do que o público deveria pensar, admirar e sentir sobre o que se é comunicado.

O que se reforça através da teoria de Herbert Marshall McLuhan, que postula que ‘’ O meio é a mensagem’’ através de estudos apresentados em Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem.
Sendo que, sobre o poder dos meios para a construção dos fatores que irão atuar na percepção pela opinião pública, McLuhan destaca:

“Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam. O meio é a mensagem porque é o meio o que modela e controla a escala e forma das associações e trabalho humanos” (Marshall McLuhan).

            Nos levando a concluir que tão importante quando é a opinião pública para o trabalho das assessorias de comunicação, é o seu poderoso papel de influência e desenvolvimento da opinião pública. Uma vez que este seja feito de forma estratégica, atenta, compreendendo e respeitando o potencial dos meios e mídias com as quais as assessorias irão aplicar suas técnicas.

Referências:

BERNARDES, Priscilla Guerra Guimarães; TUZZO, Simone Antoniaci. Revista Veja: Doxa travestida de episteme. Quando a opinião se camufla no Jornalismo.
MCLUHAN, Marshall. O meio é a mensagem. Ed. Record. Tradução: Ivan Pedro de Martins. (com Quentin Fiore). 1969.

NOVA ESCOLA DE MARKETING – http://www.novaescolademarketing.com.br/marketing/o-que-e-storytelling/
ACERVO O GLOBO
http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/caso-oj-simpson-julgamento-do-seculo-eletriza-estados-unidos-nos-anos-90-10229001#ixzz4eADfbr4T

 

 

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Sobre Delan Salazar

Nenhuma vida é tão insignificante a ponto de não merecer o mínimo de atenção e um espaço no interesse de outros. Portanto, escrevo para falar da minha vida, da vida dos outros e das coisas que eu gosto, acredito e...detesto também.
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